segunda-feira, 17 de maio de 2010

11/05/2010

O SR. JOSÉ CÂNDIDO - PT - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, pessoas da Polícia Civil e Polícia Militar, do Poder Judiciário, presentes na galeria, em busca de suas justas reivindicações, esperamos que o projeto a ser votado hoje seja conforme as emendas solicitadas.
Como Presidente da Comissão dos Direitos Humanos e membro da Frente Parlamentar de Promoção da Igualdade Racial, quero falar sobre os últimos acontecimentos na Polícia Militar da Cidade de São Paulo. Ouvi com atenção as palavras do Deputado Major Olímpio, que mostrou a preocupação do Governo em tentar demonstrar estar sendo justo em suas atitudes.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, realmente, é preciso punir severamente as pessoas que erram, como disse com muita propriedade o nobre Deputado Ed Thomas. Em todas as categorias, existem pessoas boas e pessoas más.
O ocorrido com os motoboys Eduardo e Alexandre, com aquele senhor que tomou um tiro na cabeça quando tentava entrar no banco e, recentemente, com os moradores de rua, são exemplos de crueldade. Uma pessoa normal não praticaria um ato desses.
Tive oportunidade de estar junto com os familiares do Eduardo por ocasião da missa de 30 dias e conversei com seu pai. Com muita humildade, ele diz que perdoa as pessoas que praticaram essa barbaridade. Eu também sou cristão, Sr. Presidente, estava na missa. O Evangelho lido falava sobre o perdão. Mas não dá para deixar impune. Precisamos das autoridades para a nossa proteção.
A mãe do Alexandre viu seu filho ser espancado, asfixiado e morto naquela madrugada. Em um testemunho aos jornais, ela disse: “Quando acontece algum ato de violência, chamamos a Polícia para nos proteger. Mas quem eu poderia chamar? Afinal, era a Polícia que estava torturando e matando meu filho.”
Sr. Presidente, estive recentemente em uma reunião com o Comandante-Geral da Polícia Militar, Álvaro Camilo, juntamente com várias entidades ligadas aos direitos humanos e movimento negro. Tivemos a oportunidade de ouvir o Comandante-Geral dizer que o setor de direitos humanos da Polícia Militar queria fazer um entrosamento com as entidades dessa área para melhorar o problema da violência no Estado de São Paulo. Na teoria, foi muito bom, mas tive a oportunidade de marcar uma reunião entre o Comandante e as entidades para exigir que a teoria transforme- se em prática.
Não basta ser da Comissão dos Direitos Humanos ou de alguma organização de direitos humanos. Vamos exigir do Comandante que coloque em prática, puna e denuncie toda essa violência que está acontecendo em São Paulo

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