O SR. JOSÉ CÂNDIDO - PT - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, hoje lamentavelmente quase todos os deputados que usaram da tribuna falaram sobre a violência do civil contra a polícia, a violência da polícia contra o civil. Mas são violências que deixam estarrecidos o mundo e a Região Metropolitana de São Paulo.
Tenho aqui uma manchete do jornal “Tribuna Popular”, da cidade de Santos, de domingo, dia 10 de abril de 2011, que diz: “Grupo de extermínio faz arrastão da morte. A cidade por onde eles passam tem câmera de monitoramento. Os órgãos do Departamento de Homicídio têm dever de fazer o pedido de intervenção federal urgente. Precisamos salvar vidas. Queimaram ônibus para confundir a opinião pública. Até quando?.
Pelo menos 11 pessoas foram baleadas na madrugada desse domingo, na Baixada Santista, e morreu uma delas. Segundo dados da Polícia Militar, foram sete registros em São Vicente e quatro em Santos. Todos os casos ainda estão sendo apurados.
Em Santos, os ataques foram em três bairros. No Boqueirão, uma testemunha relatou à polícia que um carro preto abordou dois rapazes na Rua Pindorama e o condutor do carro passou a atirar na direção deles. Paulo Roberto Barnabé, de 34 anos, natural de São Paulo, levou um tiro no tórax. Outro homem não identificado levou seis tiros, sendo dois no tórax, dois no abdome e dois no braço direito. Ambos foram levados ao pronto-socorro central, sendo que Paulo Roberto não resistiu aos ferimentos. Com a vítima ainda não identificada foi encontrado um cachimbo para uso de drogas.
Ainda, em Santos, uma pessoa foi alvo de tiros na Aparecida e outra no Macuco. Em São Vicente, na Vila Valença, dois homens foram alvejados. De acordo com a polícia, a dupla saiu de carro de uma casa noturna, da Rua 15 de novembro, no Centro de Santos e foi perseguida por uma moto até São Vicente. Lá o piloto da moto atirou em direção da dupla. Na Vila Margarida, tiros vindos do carro preto atingiram três homens e mais uma pessoa foi atingida. O local ainda não foi confirmado”.
Até quando essa violência domina a Baixada Santista, a Região Metropolitana de São Paulo, todo Estado de São Paulo e todo o nosso Brasil? Será que falta amor ao próximo? Será que falta mais um pouquinho de auto-estima da população do Brasil e do mundo? Quanto vale a vida de um ser humano? Não vale nada na presença de algumas pessoas.
No ano passado, tivemos uma audiência pública na Associação Comercial da Cidade de Santos. Nessa audiência levantamos várias denúncias, pedimos que providências fossem tomadas e de repente foi feita uma investigação. Prenderam 23 pessoas e mais da metade eram policiais bandidos, já expulsos da Corporação. Havia cidadãos civis e também policiais da ativa. Só que não parou por aí, de repente, aconteceu um arrastão, matando pessoas a esmo.
Na minha cidade, Suzano, também aconteceram crimes ainda não esclarecidos. Um rapaz foi morto, seu corpo está sumido até hoje e não se sabe quem o matou.
Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, tenho assistido algumas vezes o discurso do Deputado Jooji Hato que está presidindo hoje esta sessão. Quase todas as vezes, o seu assunto é sobre a violência. Pergunto o que vamos fazer para que isso não aconteça mais? Existe a Comissão de Direitos Humanos, o DHPP, outros órgãos de apuração, mas a violência é tanta que estes órgãos não conseguem atender a demanda já que são poucos operários para muito trabalho. Acho que uma das soluções é aumentar a auto-estima do povo brasileiro, gerando trabalho e renda, e, talvez, o desarmamento porque há muitas pessoas que não sabem usar uma arma, nem para se defender, nem para atacar, e a usam.
Quero dizer que temos que tomar uma providência. Não adianta vir aqui na tribuna, não adianta uma manchete se a situação não melhorar e a cada dia, a cada hora um ser humano é tombado, seja ele um policial ou alguém inocente da sociedade civil, talvez abatido pelos policiais.
É muito difícil porque, quando saímos de casa, temos que nos despedir da família porque não sabemos se voltaremos vivos. Quando chegamos, temos que agradecer a Deus por estarmos vivos, porque cada um de nós está sujeito a qualquer tipo de violência. A nossa vida hoje não vale nada para as pessoas violentas.
Outro dia estava guiando o meu carro e na minha frente um motorista parou o carro para atravessar a lombada. Eu vinha meio rápido e para que não acontecesse o pior, tive de brecar bruscamente. Faltou menos de um metro para bater. Ele teve a coragem de parar o carro, sem estacionar devidamente, e vir tirar satisfação. Era um pirralhinho, mas estava valente porque de vez em quando punha a mão na cintura. Violência de graça. Se eu fosse reagir, não sei o que não poderia acontecer naquele momento. Este é o mundo que estamos vivendo. Precisamos de mais humildade e Deus no coração das pessoas.
Discurso que proferi na Assembleia Legislativa de São Paulo, durante a 022ª. Sessão Ordinária, realizada no dia 14 de abril.
Deputado Estadual José Candido
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