O SR. JOSÉ CÂNDIDO - PT - Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, funcionários, quero parabenizar o deputado major Olímpio por ter sido confirmado como líder do PDT no dia de ontem. Desejamos que sua atuação seja profícua na liderança dessa bancada.
Sr. Presidente, em quase todos os meus discursos algumas fotos são mostradas na tela. Hoje não há fotos, mas se houvesse, elas seriam proibidas para menores de 18 anos, porque o que vou ler aqui é um absurdo.
O assunto é assédio sexual no transporte. Não dá para acreditar que em pleno século XXI, no Brasil, aconteça esse tipo de situação no metrô e em outros transportes.
“Assédio sexual no transporte
O Metrô de São Paulo registrou mais um caso de violência sexual. Desta vez, a vítima foi uma estudante de 21 anos, que foi molestada por um advogado dentro de um vagão da linha 3-vermelha, por volta das 18h40 da sexta-feira.
O Metrô e a CPTM registraram, até julho deste ano, 43 casos de assédio contra passageiras em São Paulo.
O sindicato dos metroviários está em campanha contra o assédio sexual e para que as mulheres não se sintam constrangidas em denunciar as violências sofridas.
Segundo informações da secretária de segurança pública. A estudante relatou que o advogado Walter Dias Cordeiro Júnior colocou o órgão genital para fora da calça e passou a se esfregar nela. Em pé, dentro do trem lotado, ele teria impedido a jovem de deixar o vagão. Ela começou a passar mal e, quando os usuários foram socorrê-la, descobriram que estava sendo molestada.
Seguranças do Metrô levaram o advogado para a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom). Ele foi preso em flagrante por violência sexual, mediante fraude (quando o acusado tira a capacidade de resistência da vítima). Até a noite de sexta-feira, o homem não tinha um advogado que o representasse e, segundo informações de um funcionário do distrito policial, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), recusou representá-lo pelo crime não ser funcional, isto é, por não estar ligado às atividades profissionais dele.
Outros crimes sexuais no metrô
O Metrô e a CPTM registraram, até julho deste ano, 43 casos de assédio contra passageiras. As reclamações formais nunca foram significativas, devido ao constrangimento das vítimas.
Um dos casos registrados ocorreu na estação Sacomã, da linha 2-verde, na Zona Sul, foi filmado por câmeras de segurança. Uma professora de 34 anos foi atacada depois de pedir informações para um homem.
Em abril deste ano, o Metrô registrou também o primeiro caso de estupro dentro de um trem. Uma supervisora de vendas que seguia na linha 2-verde, no sentido da Vila Madalena, foi violentada por um homem com as mãos.
Na época, o Metrô havia prometido intensificar a instalação de câmeras nos vagões.
Superlotação serve como desculpa
O Delegado Valdir de Oliveira Rosa diz que “a maioria das mulheres não quer publicidade”. Já os acusados alegam inocência. “sempre dizem que encostaram porque estava lotado. Esse problema é facilitado pela superlotação” porque, “quando está como uma sardinha em lata, a pessoa se sente anônima, ninguém vê nada e não tem nem como reagir", avalia Cláudio de Senna Frederico, ex-Secretário dos Transportes Metropolitanos.
Fonte: Instituto Patrícia Galvão”
Os bandidos e os maus-caracteres, Sr. Presidente, alegam que por culpa da lotação é impossível não acontecer episódios como este. Digo com franqueza, é vergonhoso saber que pessoas do sexo masculino têm a capacidade de praticar um crime como este e é muito triste saber que casos assim aconteçam. Denuncio e peço que as mulheres denunciem também todas as vezes que isto acontecer para que estes casos criminosos e desrespeitosos recebam punição.
Discurso proferido na Assembléia Legislativa de São Paulo, durante a 122ª. Sessão Ordinária, realizada no dia 19 de outubro.
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