sexta-feira, 4 de novembro de 2011

CASO DAS EMENDAS: JOSÉ CANDIDO CONDENA "PARALISIA E IMPOTÊNCIA" DA CASA NO TRATO DA DENÚNCIA

O SR. JOSÉ CÂNDIDO - PT - Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, ouvi com muita atenção o discurso do nobre deputado João Antonio, após ter participado da reunião do Conselho de Ética. Confesso que estava curtindo uma pequena frustração quando discutimos o destino da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo após a denúncia feita pelo nobre deputado Roque Barbiere. Percebo que a coisa está patinando de tal maneira que não vamos ser dignos de fazer esse Conselho de Ética dar nomes aos bois ou pelo menos punir os responsáveis.
Sr. Presidente, isso me deixa com a sensação de impotência como legislador. Vários legisladores vêm a esta tribuna, enchem o peito, e dizem que nós pertencemos a um dos maiores poderes legislativos do Brasil, que é a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, composta por 94 deputados. Realmente, é o maior poder legislativo estadual do país.

* * *

- Assume a Presidência o Sr. Barros Munhoz.

* * *

Mas o que me deixa triste, Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, é que viemos para esta Casa representar uma grande população. Não é fácil ser eleito deputado. São necessários milhares de pessoas que nos confiam o voto, que assinam um cheque em branco para que possamos representá-los durante quatro anos. Só que quando é a bancada de oposição, ela exerce o seu papel de fiscalizar, alertar. Lembro-me perfeitamente quando a bancada do PT tentou impedir a licitação do metrô, suspenderam, voltou, e hoje houve a denúncia de um rombo e mais de 300 milhões feita pelo nobre deputado João Antonio.
Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, um deputado fala para a imprensa que 25 ou 30 % dos deputados desta Casa estão enriquecendo vendendo emendas parlamentares.
Ora, Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, população que nos assiste, é nossa obrigação preservar o poder legislativo, como muitos dizem que é o maior, da insatisfação da comunidade que confiou em nós. Temos dois instrumentos: a CPI, que exige um terço das assinaturas dos deputados, ou o Conselho de Ética. O Conselho de Ética está patinando há várias reuniões. A tendência é fazer uma manobra para que a investigação pare. Para a CPI faltam apenas duas assinaturas. Ou melhor, uma assinatura, pois o Deputado Roque Barbiere teria obrigação de assinar essa CPI, pois ele é o dono da denúncia. Está faltando a assinatura dele.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, isso dá uma sensação de paralisia, de impotência nesta Casa. É isso que, lamentavelmente, tinha a dizer.



Discurso proferido na Assembléia Legislativa de São Paulo, durante a 127ª. Sessão Ordinária, realizada no dia 26 de outubro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário