quarta-feira, 9 de novembro de 2011

MORTE DO CINEGRAFISTA NO RJ: ATÉ QUANDO O SANGUE SERÁ DERRAMADO?

O SR. JOSÉ CÂNDIDO - PT - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, como membro da Comissão de Direitos Humanos, lamentavelmente, vou fazer a leitura de mais uma chacina.
“Cinegrafista morre em operação do Bope em favela do Rio. Gelson Domingos da Silva já chegou morto ao hospital, diz a Secretaria da Saúde. A operação ocorreu neste domingo, na Favela de Antares, em Santa Cruz.
Um cinegrafista da TV Bandeirantes morreu baleado na manhã deste domingo, dia 6, durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) contra o tráfico de drogas na Favela de Antares, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela Assessoria da Polícia Militar. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, Gelson Domingos da Silva chegou ao Pronto-Socorro de Santa Cruz às 7:40 horas desta manhã de domingo, 6 de novembro, já morto por perfuração de bala na região do tórax. Ainda assim, segundo a nota, foram feitas tentativas de reanimação, sem sucesso.
A Polícia Militar do Rio de Janeiro confirmou que quatro criminosos morreram e outros oito foram presos durante a operação, que contou com cerca de 100 policiais do Bope e do Batalhão de Choque.
A nota da PM afirma que o gerente do tráfico da comunidade e seu braço direito estão entre os presos na ação. Foram apreendidos um fuzil, três pistolas, sete carregadores, cinco radiotransmissores, um quilo e 574 trouxinhas de maconha, 522 pedras de crack, 100 papelotes de cocaína, além de nove mortos.
O Grupo Bandeirante divulgou nota lamentando a morte do seu funcionário Gelson Domingos da Silva, de 46 anos, na manhã deste domingo.”
Sr. Presidente, a violência no Rio de Janeiro, lamentavelmente, está sem limite. É difícil o mês em que não acontecem mortes de um lado e do outro. O Governador vai à imprensa e diz que está tomando providências, mas o que me chama a atenção é que a cada acontecimento vários seres humanos perdem a vida. Desta vez, foi um cinegrafista, que, no exercício do trabalho, perdeu a vida em tiroteio.
Isso sem contar os cidadãos comuns que perdem a vida ou ficam com sequelas porque foram atingidos por balas perdidas, o que infelizmente é rotina tanto no Rio de Janeiro como em outras cidades.
O que acontecerá nos noticiários? Alguém dirá que foram os bandidos que atiraram, outros dirão que foi a polícia e isto ficará repercutindo por muito tempo. Lamentavelmente mais uma pessoa perde a vida e deixa seus familiares desamparados e nada acontece de avanço na segurança do Estado do Rio de Janeiro, no Estado de São Paulo, no Brasil e no mundo.


Discurso proferido na Assembléia Legislativa de São Paulo, durante a 131ª. Sessão Ordinária, realizada no dia 07 de novembro.

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