O SR. JOSÉ CÂNDIDO - PT - PELO ART. 82 - Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, no mês de maio há várias datas comemorativas. Começou com 1º de maio, hoje vários deputados vieram à tribuna para falar sobre o Dia Nacional de Luta contra o Abuso de Crianças e Adolescentes. Estou um pouco atrasado, mas fiz questão de vir à tribuna para citar mais uma data comemorativa instituída por uma lei de 31 de outubro de 1962, que é o Dia do Gari. Profissão que no Brasil gera mais de 1,5 milhão de empregos para pessoas de baixa escolaridade.
Mas o que me chamou atenção foi um psicólogo, aluno da USP que resolveu defender uma tese para enriquecer o seu currículo. Nessa tese ele tinha que vestir um uniforme de gari e trabalhar por pelo menos um mês, varrendo as ruas da Universidade.
O psicólogo social Fernando Braga da Costa constatou que para a sociedade a maioria dos trabalhadores braçais, principalmente os garis, é invisível. Ele descobriu que um simples bom-dia, que o gari nunca recebe, pode significar para ele, gari, um sinal da própria existência.
Durante o tempo em que ele estava trabalhando como gari, ele fez várias experiências e sentiu na pele o que é ser tratado como objeto, e não como ser humano. Os professores que costumavam abraçá-lo no corredor passavam por ele e não o reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, eles esbarravam no seu ombro, sem ao menos pedir desculpas, e seguiam ignorando-o, como se tivessem encostado num poste ou num orelhão.
O psicólogo foi perguntado numa entrevista sobre o que ele sentiu trabalhando como gari. Ele precisou de dinheiro para almoçar no bandejão, passou por vários locais e não foi reconhecido por nenhum dos seus professores e colegas de trabalho, só porque estava de uniforme.
É interessante o que ele disse: "fui me habituando a isso assim, como eles vão se habituando. Também a situação é pouco saudável. Quando eu via um professor se aproximando, um professor meu, eu até parava de varrer porque ele ia passar por mim e poderíamos trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se estivesse passando por um alguém qualquer".
Fiz esta observação porque isso acontece com cada um de nós. Vejo às vezes aqui, na Assembléia Legislativa, os servidores que nos prestam os serviços, e nós às vezes até os cumprimentamos, e uns se espantam e outros se sentem elogiados e lisonjeados. Portanto, muitas vezes nós estamos deputados, estamos num emprego, estamos numa empresa, e não percebemos o quanto somos egoístas, o quanto somos ignorantes, o quanto nós desprezamos o ser humano que é o nosso semelhante, e que tem direitos iguais a nós.
Discurso que proferi na Assembleia Legislativa de São Paulo, durante a 044ª. Sessão Ordinária, realizada no dia 18 de maio.
Deputado Estadual José Candido
sexta-feira, 20 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
VIOLÊNCIA NA MÍDIA
O SR. JOSÉ CANDIDO - PT - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, a maioria dos deputados que usa esta tribuna vem com uma moção de admiração, de repúdio sobre os acontecimentos no Estado de São Paulo. Este Deputado não tem outra alternativa senão dar prosseguimento às mesmas reclamações. O pior é que reclamamos, temos o papel de fiscalizadores e, às vezes, nossas reclamações são em vão.
Quando adentrei nesta Casa, o Deputado Olimpio Gomes estava usando a tribuna e falando sobre a violência policial, da corrupção, falando sobre o que acontece na segurança deste país.
Hoje pela manhã, Deputado, eu estava fazendo ginástica, a televisão ligada, e falavam dos presos que saíram para comemorar o Dia das Mães, dia em que muitas mães choram a perda de seus filhos pela violência, choram de saudades, e a boa parte deles não está preparada, aproveitando a ocasião para fazer barbaridades. Ao chegar à Assembleia recebi um telefonema do Vereador Luciano, da cidade de Cesário Lange, reclamando da superlotação da cadeia pública daquela cidade. A televisão, os jornais dão notícias de violência na Baixada Santista, sobre a morte de um policial civil.
Srs. Deputados e Sras. Deputadas, penso que os demais deputados devem assinar esse pedido de CPI. Como V.Exa. disse da tribuna, vergonhosamente muitos são subordinados ao Governo. Às vezes têm medo de assinar, às vezes retiram as assinaturas. Mas só podemos fiscalizar através de uma CPI porque os fatos são apurados e conclusões são tiradas, na esperança de que o Estado de São Paulo seja um estado cada vez melhor.
Compramos os jornais, vemos noticiários na televisão, e só vemos notícias de violência, acidentes. Fico estarrecido. Não dá mais vontade de ler jornal nem assistir televisão porque só se vê violência e mais violência. Como parlamentares, somos eleitos para representar a população e às vezes somos impedidos de fazer isso por falta de condições de vir à tribuna falar, denunciar e reclamar das coisas que a cada dia estão piores. Isso nos causa uma sensação de impunidade e falta de capacidade de fiscalizar esse estado. Cada deputado que vem a essa tribuna fala as mesmas coisas, de regiões diferentes, mas no dia a dia a violência aumenta em todos os níveis e acaba superando nossas falas.
Discurso que proferi na Assembleia Legislativa de São Paulo, durante a 037ª. Sessão Ordinária, realizada no dia 09 de maio.
Deputado Estadual José Candido
Quando adentrei nesta Casa, o Deputado Olimpio Gomes estava usando a tribuna e falando sobre a violência policial, da corrupção, falando sobre o que acontece na segurança deste país.
Hoje pela manhã, Deputado, eu estava fazendo ginástica, a televisão ligada, e falavam dos presos que saíram para comemorar o Dia das Mães, dia em que muitas mães choram a perda de seus filhos pela violência, choram de saudades, e a boa parte deles não está preparada, aproveitando a ocasião para fazer barbaridades. Ao chegar à Assembleia recebi um telefonema do Vereador Luciano, da cidade de Cesário Lange, reclamando da superlotação da cadeia pública daquela cidade. A televisão, os jornais dão notícias de violência na Baixada Santista, sobre a morte de um policial civil.
Srs. Deputados e Sras. Deputadas, penso que os demais deputados devem assinar esse pedido de CPI. Como V.Exa. disse da tribuna, vergonhosamente muitos são subordinados ao Governo. Às vezes têm medo de assinar, às vezes retiram as assinaturas. Mas só podemos fiscalizar através de uma CPI porque os fatos são apurados e conclusões são tiradas, na esperança de que o Estado de São Paulo seja um estado cada vez melhor.
Compramos os jornais, vemos noticiários na televisão, e só vemos notícias de violência, acidentes. Fico estarrecido. Não dá mais vontade de ler jornal nem assistir televisão porque só se vê violência e mais violência. Como parlamentares, somos eleitos para representar a população e às vezes somos impedidos de fazer isso por falta de condições de vir à tribuna falar, denunciar e reclamar das coisas que a cada dia estão piores. Isso nos causa uma sensação de impunidade e falta de capacidade de fiscalizar esse estado. Cada deputado que vem a essa tribuna fala as mesmas coisas, de regiões diferentes, mas no dia a dia a violência aumenta em todos os níveis e acaba superando nossas falas.
Discurso que proferi na Assembleia Legislativa de São Paulo, durante a 037ª. Sessão Ordinária, realizada no dia 09 de maio.
Deputado Estadual José Candido
terça-feira, 3 de maio de 2011
Aterro da Pajoan
O SR. JOSÉ CÂNDIDO - PT - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, público presente nas galerias, funcionários, telespectadores da TV Assembleia, inscrevi-me hoje para falar um pouco sobre o que o nobre Deputado Adriano Diogo falou antes. Estive em Itaquaquecetuba ontem, pouco depois da explosão. Não foi bem uma explosão, mas um desmoronamento de mais de 150 mil toneladas de lixo. O acidente deixou ilhados três bairros, os moradores não podem sair do lugar, a não ser que ande mais de 50 km, dando volta por Arujá. Conheço bem esse desmoronamento porque há 11 anos teve uma explosão semelhante, degradando o meio ambiente quando o chorume envenenou o rio de água potável.
Tive a oportunidade de hoje participar de uma coletiva de imprensa, quando o representante jurídico da empresa falou aos jornais. Mentiu bastante e ludibriou a imprensa, se dizendo vítima de um consórcio que já estava no limite, que era administrado por eles. E eles, 11 anos depois, assumindo compromisso de fazer um serviço decente, estão ganhando dinheiro em cima da desgraça dos moradores do entorno porque vivemos numa região onde seis cidades não têm onde levar o lixo a não ser em Itaquaquecetuba.
Na época em que isso aconteceu, este Deputado era vereador na cidade de Suzano e acionamos a Assembleia Legislativa. A Comissão de Meio Ambiente teve a oportunidade de sobrevoar o local. Onze anos se passaram e providências não foram tomadas.
Ontem, como Deputado, tive a oportunidade de acompanhar esse assunto passo a passo porque a situação está insuportável. Fala-se da situação dos moradores do entorno que convivem com essa situação precária. Tenho a impressão de que estão empurrando a situação com a barriga porque, a meu ver, os órgãos de fiscalização multam uma, duas, três vezes e, depois, tem que tomar providência porque está havendo desobediência.
Tive a oportunidade de ver na imprensa que tem 84 multas da CPF. Ou seja, multam, atuam, os empresários ganham muito dinheiro, pagam, e continuam. Recentemente, uma juíza de Itaquaquecetuba interditou o aterro por causa da reclamação da população. Os proprietários foram lá, conseguiram uma liminar e estão a todo vapor fazendo esse trabalho.
Quero dizer que esteve lá o Deputado Alencar Santana Braga e o Deputado Luiz Moura. Fomos humilhados, desrespeitados. Foi também o Ricardo representando a liderança da bancada, a serviço do Deputado Enio Tatto, nosso líder.
Providências vão ter que ser tomadas. Vamos ver o que a Cetesb está fazendo porque só multar e não tomar providências, não resolve o problema. Nos dias que ficamos lá, me deu dor de cabeça pelo cheiro horroroso que exalava de gás e outros venenos naquele local. Imaginem os moradores convivendo com isso a vida toda.
Discurso que proferi na Assembleia Legislativa de São Paulo, durante a 028ª. Sessão Ordinária, realizada no dia 28 de abril.
Deputado Estadual José Candido
Tive a oportunidade de hoje participar de uma coletiva de imprensa, quando o representante jurídico da empresa falou aos jornais. Mentiu bastante e ludibriou a imprensa, se dizendo vítima de um consórcio que já estava no limite, que era administrado por eles. E eles, 11 anos depois, assumindo compromisso de fazer um serviço decente, estão ganhando dinheiro em cima da desgraça dos moradores do entorno porque vivemos numa região onde seis cidades não têm onde levar o lixo a não ser em Itaquaquecetuba.
Na época em que isso aconteceu, este Deputado era vereador na cidade de Suzano e acionamos a Assembleia Legislativa. A Comissão de Meio Ambiente teve a oportunidade de sobrevoar o local. Onze anos se passaram e providências não foram tomadas.
Ontem, como Deputado, tive a oportunidade de acompanhar esse assunto passo a passo porque a situação está insuportável. Fala-se da situação dos moradores do entorno que convivem com essa situação precária. Tenho a impressão de que estão empurrando a situação com a barriga porque, a meu ver, os órgãos de fiscalização multam uma, duas, três vezes e, depois, tem que tomar providência porque está havendo desobediência.
Tive a oportunidade de ver na imprensa que tem 84 multas da CPF. Ou seja, multam, atuam, os empresários ganham muito dinheiro, pagam, e continuam. Recentemente, uma juíza de Itaquaquecetuba interditou o aterro por causa da reclamação da população. Os proprietários foram lá, conseguiram uma liminar e estão a todo vapor fazendo esse trabalho.
Quero dizer que esteve lá o Deputado Alencar Santana Braga e o Deputado Luiz Moura. Fomos humilhados, desrespeitados. Foi também o Ricardo representando a liderança da bancada, a serviço do Deputado Enio Tatto, nosso líder.
Providências vão ter que ser tomadas. Vamos ver o que a Cetesb está fazendo porque só multar e não tomar providências, não resolve o problema. Nos dias que ficamos lá, me deu dor de cabeça pelo cheiro horroroso que exalava de gás e outros venenos naquele local. Imaginem os moradores convivendo com isso a vida toda.
Discurso que proferi na Assembleia Legislativa de São Paulo, durante a 028ª. Sessão Ordinária, realizada no dia 28 de abril.
Deputado Estadual José Candido
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